Neurologia em geral

Quando procurar um neurologista? Sintomas que merecem avaliação

Por Dr. Avelino Júnior, neurologista Revisado em 5 min de leitura
Ilustração de um adulto conversando com um médico em consultório, com um desenho simplificado do cérebro ao fundo
Resposta rápida

Procure um neurologista se tiver dor de cabeça frequente ou diferente da habitual, esquecimento que atrapalha a rotina, tremor, formigamento ou fraqueza que não passam, tontura que volta, desmaios ou crises. Sintomas súbitos, como boca torta, fraqueza de um lado do corpo ou fala enrolada, são emergência: ligue na hora para o SAMU 192.

Muita gente passa meses com dor de cabeça, esquecimentos ou formigamento sem saber se aquilo vale uma consulta. Outras vezes a dúvida é se o assunto é mesmo com o neurologista ou com outra especialidade. Este texto ajuda a separar o que pode esperar uma consulta marcada do que precisa de atendimento imediato.

O que um neurologista trata?

O neurologista é o médico que diagnostica e trata doenças do sistema nervoso, ou seja, do cérebro, da medula espinhal, dos nervos e dos músculos. Na prática, ele cuida de problemas que afetam o pensamento, a memória, os movimentos, a sensibilidade, o equilíbrio e a consciência.

Entre os quadros mais comuns no consultório estão:

  • dores de cabeça, como a enxaqueca e a cefaleia tensional;
  • alterações de memória e demências, como a doença de Alzheimer;
  • distúrbios do movimento, como a doença de Parkinson e outros tipos de tremor;
  • epilepsia, a tendência a ter crises repetidas por atividade elétrica anormal no cérebro;
  • esclerose múltipla, em que o sistema de defesa do corpo ataca a capa que protege os nervos;
  • doenças dos nervos periféricos, que dão formigamento, dormência ou fraqueza nas mãos e nos pés;
  • acompanhamento depois de um AVC (acidente vascular cerebral, o "derrame").

Problemas emocionais, como tema principal, ficam com o psiquiatra. As duas áreas conversam bastante, e é comum uma encaminhar para a outra.

Quais sintomas justificam marcar uma consulta com neurologista?

Vale procurar um neurologista quando um sintoma persiste, volta com frequência, piora com o tempo ou é diferente do que você costuma sentir. Os mais comuns:

  • Dor de cabeça frequente ou diferente: crises várias vezes por mês, analgésico toda hora ou uma dor que mudou de padrão. A página sobre dor de cabeça e enxaqueca traz mais detalhes.
  • Esquecimento: perder compromissos, repetir as mesmas perguntas ou se perder em lugares conhecidos, principalmente quando a família também nota. O texto esquecimento é normal ou pode ser demência? ajuda a diferenciar.
  • Tremor nas mãos, na cabeça ou na voz, parado ou em movimento. Nem todo tremor é Parkinson, como explica o artigo todo tremor é Parkinson?.
  • Formigamento ou dormência que não passa ou volta sempre, principalmente nos pés e nas mãos.
  • Fraqueza que aparece aos poucos, com dificuldade para segurar objetos, subir escada ou levantar da cadeira.
  • Tontura ou desequilíbrio que se repete: tudo girando, insegurança ao andar, quedas.
  • Crises ou desmaios: perda de consciência, movimentos involuntários, "ausências" (a pessoa fica parada, sem responder) ou episódios de que ela não se lembra depois.
  • Alterações da fala ou da visão que já passaram mas deixaram dúvida, como dificuldade para achar palavras, visão dupla ou perda de parte da visão.

Ter um desses sintomas não quer dizer doença grave. Muitas vezes a causa é simples e tem tratamento. A consulta serve para descobrir a origem e decidir se algum exame é necessário.

Quando o sintoma é uma emergência e não dá para esperar a consulta?

Sintomas neurológicos que surgem de repente, em minutos ou horas, são emergência e pedem atendimento imediato, não consulta marcada. O exemplo mais importante é o AVC, em que cada minuto conta para reduzir sequelas.

Um jeito fácil de reconhecer um possível AVC é lembrar a palavra SAMU:

  • S de Sorria: peça para a pessoa sorrir e veja se um lado da boca fica caído ou torto.
  • A de Abrace: peça para ela levantar os dois braços, como num abraço, e veja se um deles cai ou fica fraco.
  • M de Música: peça para ela repetir uma frase simples, como um trecho de música, e veja se a fala sai enrolada ou se ela não consegue falar.
  • U de Urgente: se notar qualquer uma dessas alterações, ligue na hora para o SAMU 192.

Como se preparar para a consulta com o neurologista?

Chegar com as informações organizadas ajuda o médico a entender o problema mais depressa. Comece anotando a história do sintoma: quando começou, com que frequência aparece, quanto dura, o que melhora e o que piora. Para dor de cabeça, tontura ou crises, um diário de algumas semanas, com dias, horários e possíveis gatilhos, ajuda muito.

Também vale levar:

  • a lista de tudo o que você usa, com nome e horário, incluindo vitaminas, chás e remédios comprados sem receita;
  • exames anteriores, como exames de sangue, tomografias, ressonâncias e eletroencefalogramas, de preferência com os laudos;
  • relatórios de outros médicos e informações sobre doenças na família;
  • suas dúvidas por escrito, para não esquecer nenhuma na hora;
  • um vídeo do episódio, se houver, como de um tremor ou de uma crise.

Em casos de esquecimento, desmaio ou crise, vá acompanhado se puder. Quem convive com você pode contar detalhes que você não percebeu ou não lembra.

O que acontece durante a consulta?

A consulta começa com uma conversa detalhada sobre seus sintomas, sua saúde e sua história. Depois vem o exame neurológico, que avalia força, reflexos, sensibilidade, coordenação, equilíbrio, o jeito de andar e funções como memória e linguagem.

Com isso, o neurologista levanta as hipóteses mais prováveis. Quando precisa, ele solicita e interpreta exames, como exames de sangue, ressonância magnética ou eletroencefalograma, que são feitos em laboratórios e clínicas de imagem. Em seguida, explica o diagnóstico e as opções de tratamento, que podem incluir remédios, mudanças de hábitos, fisioterapia ou acompanhamento com outros profissionais.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Cada caso precisa ser analisado individualmente.

Perguntas frequentes

01Preciso de encaminhamento para consultar um neurologista?

Em consulta particular, em geral não. No SUS e em alguns planos de saúde, pode ser preciso passar antes pelo clínico geral ou pelo médico de família. Confirme a regra do seu atendimento.

02Neurologista e neurocirurgião são a mesma coisa?

Não. O neurologista faz o diagnóstico e o tratamento clínico, com remédios e outras terapias. O neurocirurgião opera o cérebro, a coluna e os nervos quando a cirurgia é indicada.

03Dor de cabeça sempre precisa de neurologista?

Não. Dores de cabeça leves e ocasionais, que melhoram com medidas simples, costumam ser avaliadas pelo clínico geral. O neurologista entra quando a dor é frequente, forte, muda de padrão ou vem com outros sintomas.

04Qual a diferença entre neurologista e psiquiatra?

O neurologista cuida de doenças do cérebro, da medula e dos nervos, como epilepsia, Parkinson e enxaqueca. O psiquiatra trata transtornos do humor, do comportamento e do pensamento, como depressão e ansiedade. Algumas condições, como as demências, podem envolver as duas especialidades.

Dr. Avelino Júnior
Dr. Avelino JúniorNeurologista · CRM-CE 7555 · RQE 5115. Medicina e residência em Neurologia Clínica pela UFC. Atende em Fortaleza e por telemedicina. Conheça o médico.

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