Neurologia em geral

Como funciona a consulta com neurologista por telemedicina?

Por Dr. Avelino Júnior, neurologista Revisado em 5 min de leitura
Ilustração de um adulto em casa conversando por videochamada com um médico na tela de um notebook
Resposta rápida

A consulta com neurologista por telemedicina é uma videochamada regulamentada no Brasil pela Lei 14.510/2022 e pela Resolução CFM 2.314/2022. Funciona bem para retornos, análise de exames, ajustes de tratamento e orientação a familiares. Quando é preciso um exame neurológico completo, o médico pode indicar a consulta presencial.

A consulta por vídeo virou rotina para muitos pacientes em acompanhamento neurológico. Ela poupa o deslocamento, e isso pesa para quem anda com dificuldade, mora longe ou depende de um familiar para chegar ao consultório. Antes de marcar, porém, vale conhecer as regras e os limites desse formato.

A consulta com neurologista por telemedicina é permitida no Brasil?

Sim. A telemedicina é permitida e regulamentada no Brasil por lei federal e por norma do Conselho Federal de Medicina (CFM).

A Lei 14.510, de dezembro de 2022, autorizou a telessaúde em todo o país e substituiu a lei provisória criada na pandemia. Pela lei, o paciente precisa dar consentimento livre e informado para ser atendido a distância e pode recusar a telessaúde e pedir atendimento presencial sempre que quiser. O profissional, por sua vez, tem autonomia para decidir se usa ou não a telessaúde, inclusive na primeira consulta. Os atos feitos a distância valem em todo o território nacional, e o atendimento precisa respeitar o sigilo e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A Resolução CFM 2.314/2022 detalha como os médicos devem praticar a telemedicina. Ela chama de teleconsulta a consulta em que médico e paciente estão em lugares diferentes, ligados por tecnologia. A mesma resolução afirma que a consulta presencial continua sendo a referência e que a telemedicina é complementar. Todo atendimento precisa ser registrado em prontuário, como no consultório.

O que dá para fazer numa consulta on-line com o neurologista?

Boa parte do acompanhamento neurológico depende de conversa, de análise de informações e de observação, e isso funciona bem por vídeo. A teleconsulta costuma ser útil para:

  • retornos de quem já está em tratamento;
  • avaliação de sintomas, para entender a história de uma dor de cabeça, de um esquecimento ou de uma crise e definir os próximos passos;
  • análise de exames, que o neurologista solicita e interpreta e que são feitos em laboratórios e clínicas de imagem, como ressonância magnética e eletroencefalograma; os resultados podem ser enviados antes;
  • ajustes de tratamento, revendo remédios, efeitos colaterais e resposta;
  • orientação a familiares e cuidadores, o que ajuda muito nas demências e nas doenças que limitam a locomoção, porque a família participa de casa.

Mesmo pela tela, o médico consegue observar parte do exame neurológico: a fala, a expressão do rosto, alguns movimentos, o tremor, o jeito de andar e testes de memória e atenção. A página de telemedicina explica como o formato funciona.

Quando a consulta presencial é necessária?

A consulta presencial é necessária quando o médico precisa examinar o corpo de perto para chegar a uma conclusão segura. A própria Resolução CFM 2.314/2022 determina que o médico informe ao paciente os limites da teleconsulta, já que um exame físico completo não é possível a distância.

O presencial costuma ser indicado nestas situações:

  • Exame neurológico detalhado: testar força, reflexos, sensibilidade, tônus muscular (o grau de rigidez dos músculos) e equilíbrio exige contato físico e instrumentos.
  • Primeira avaliação de alguns quadros, como fraqueza sem causa definida, suspeita de doença de Parkinson ou alterações de sensibilidade, em que detalhes do exame mudam o diagnóstico.
  • Mudança importante no quadro, com sintomas novos ou piora que precisam ser reexaminados.
  • Doenças crônicas: a resolução do CFM prevê consulta presencial com o médico assistente em intervalos de no máximo 180 dias.

A decisão é tomada caso a caso. Tanto o paciente quanto o médico podem interromper o atendimento on-line e optar pelo presencial. Veja também como funciona a consulta presencial.

Quando vale procurar um neurologista, on-line ou presencial?

Vale procurar um neurologista quando um sintoma persiste, volta com frequência ou piora, como dor de cabeça frequente, esquecimento, tremor, formigamento, tontura que se repete ou desmaios. O texto quando procurar um neurologista traz a lista completa. Para quem já tem diagnóstico, a teleconsulta ajuda a manter o acompanhamento em dia entre uma consulta presencial e outra.

Receita e atestado emitidos por telemedicina têm validade?

Sim. Receitas, atestados, relatórios e pedidos de exame emitidos a distância valem quando assinados com certificado digital no padrão ICP-Brasil (a infraestrutura oficial de chaves públicas do país) ou outro padrão aceito por lei.

Segundo a Resolução CFM 2.314/2022, esses documentos precisam trazer a identificação do médico, com nome e CRM, os dados do paciente, a data e a hora, a assinatura digital e a informação de que foram emitidos por telemedicina. Em geral, o documento chega em PDF, por e-mail ou aplicativo, e pode ser apresentado na farmácia, no laboratório ou no trabalho.

Alguns medicamentos controlados seguem regras próprias de receituário. Quando for o caso, o médico explica como a receita será entregue.

Como se preparar para a teleconsulta?

Um pouco de preparo deixa a consulta on-line mais proveitosa. Antes do horário, teste a internet, a câmera e o microfone e deixe o celular ou o computador carregado ou na tomada. Escolha um lugar silencioso, bem iluminado e reservado, onde você possa falar da sua saúde à vontade. Se der, posicione a câmera de modo que o médico consiga ver você de corpo inteiro, caso peça para você andar ou fazer algum movimento.

Deixe separados:

  • exames e laudos, antigos e recentes, em PDF, para enviar antes se houver essa opção;
  • a lista de remédios, com nome e horário, incluindo vitaminas e remédios sem receita;
  • o histórico dos sintomas e as dúvidas que quer tirar;
  • um documento com foto, que pode ser pedido para identificação.

Em casos de esquecimento, crises ou dificuldade de comunicação, é bom ter um familiar por perto para completar as informações.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico.

Perguntas frequentes

01A consulta por vídeo é gravada?

Gravar não é regra. O obrigatório é registrar a consulta no prontuário, como no atendimento presencial.

02Posso fazer teleconsulta com um médico de outro estado?

Sim. A Lei 14.510/2022 prevê que os atos feitos por telessaúde valem em todo o território nacional. O médico continua sujeito às regras do seu Conselho Regional de Medicina.

03Um familiar pode participar da teleconsulta?

Sim, se o paciente concordar. A presença de um familiar ou cuidador costuma ajudar, principalmente quando há alteração de memória ou quando o paciente tem dificuldade para contar o que sente.

04E se a conexão cair no meio da consulta?

Em geral, basta entrar de novo pelo mesmo link ou aguardar o contato da equipe. Se a qualidade da chamada não permitir uma avaliação segura, o médico pode remarcar ou indicar o atendimento presencial.

Dr. Avelino Júnior
Dr. Avelino JúniorNeurologista · CRM-CE 7555 · RQE 5115. Medicina e residência em Neurologia Clínica pela UFC. Atende em Fortaleza e por telemedicina. Conheça o médico.

Publicado em · Revisado em . Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Agendamento

Vamos conversar sobre o que você está sentindo?

Veja as condições do atendimento e agende pelo WhatsApp, no consultório em Fortaleza ou por telemedicina.

Agendar