Dor de cabeça e enxaqueca

Quando a dor de cabeça é sinal de alerta?

Por Dr. Avelino Júnior, neurologista Revisado em 5 min de leitura
Ilustração de uma pessoa adulta com a mão na testa, ao lado de ícones de alerta e de um relógio
Resposta rápida

A dor de cabeça é sinal de alerta quando começa de repente e muito forte, vem com febre e rigidez na nuca, fraqueza, confusão, alteração da fala ou da visão, desmaio, ou surge depois de uma pancada na cabeça. Também deve ser avaliada quando muda de padrão, piora com o tempo ou aparece pela primeira vez depois dos 50 anos.

Quase todo mundo já teve dor de cabeça, e na imensa maioria das vezes ela não indica nada grave. Alguns sinais, porém, mostram que a dor pode ter uma causa que precisa ser investigada logo. Conhecer esses sinais ajuda você a não se assustar à toa e também a não deixar passar o que merece atenção.

Qual a diferença entre dor de cabeça primária e secundária?

Na dor de cabeça primária, a própria dor é a doença. Na secundária, ela é sintoma de outro problema de saúde. Essa divisão vem da classificação internacional das cefaleias (cefaleia é o nome médico da dor de cabeça) e ajuda o médico a organizar o raciocínio.

  • Primárias: os exemplos mais conhecidos são a enxaqueca, a cefaleia do tipo tensional e a cefaleia em salvas. A dor pode ser forte e atrapalhar bastante a rotina, mas não existe uma lesão por trás dela.
  • Secundárias: a dor aparece por causa de outra condição, como uma infecção, um sangramento dentro da cabeça, uma pressão arterial muito elevada, um trauma ou o uso excessivo de analgésicos.

As primárias são, de longe, as mais comuns. Os sinais de alerta existem justamente para reconhecer as situações em que uma causa secundária fica mais provável.

Quais sintomas indicam que a dor de cabeça pode ser grave?

Os sinais de alerta são características da dor, ou sintomas que aparecem junto com ela, que aumentam a chance de haver outra doença por trás. Muitos médicos usam a sigla em inglês SNOOP para lembrar os principais grupos. Traduzindo para o dia a dia:

  • Sintomas no corpo todo: febre, perda de peso sem explicação, ou dor de cabeça em quem tem câncer, HIV ou usa remédios que baixam a imunidade.
  • Sinais neurológicos: fraqueza ou dormência em um lado do corpo, boca torta, fala enrolada, visão dupla ou perda de visão, confusão, sonolência fora do comum ou convulsão.
  • Início súbito: dor muito forte que chega ao máximo em segundos ou em até um minuto, como uma pancada por dentro da cabeça.
  • Início em idade mais avançada: a primeira dor de cabeça desse tipo depois dos 50 anos.
  • Padrão diferente: a dor mudou de característica, está cada vez mais frequente ou mais forte ao longo de dias ou semanas, piora ao deitar ou ao levantar, ou é provocada por tosse, espirro ou esforço.

Há outras situações que também pedem avaliação. Dor de cabeça depois de uma pancada na cabeça é uma delas. Febre com rigidez na nuca e incômodo com a luz é outra, assim como dor intensa com vômitos que não param.

Dor de cabeça forte é sempre sinal de doença grave?

Não. A intensidade, sozinha, não diz se a causa é grave. Uma crise de enxaqueca pode ser muito forte, durar horas e vir com enjoo e incômodo com a luz, sem que haja qualquer lesão no cérebro.

O médico olha para o conjunto: como a dor começou, se ela se parece com as dores que você já conhece e se há outros sintomas. Pense em duas pessoas. Uma tem enxaqueca há anos, com crises parecidas entre si. A outra nunca teve dor de cabeça e, de repente, sente uma dor explosiva. A segunda situação preocupa muito mais.

Se você já tem diagnóstico de enxaqueca ou de outra dor de cabeça primária, preste atenção principalmente às mudanças. Uma crise com sintomas novos, uma dor com características que você nunca sentiu ou uma piora progressiva que não responde ao que antes funcionava são motivos para procurar avaliação.

Como o médico investiga a causa da dor de cabeça?

A investigação começa pela conversa e pelo exame neurológico. O neurologista pergunta como a dor começou, onde dói, quanto tempo dura, o que alivia e o que piora, quais remédios você toma e com que frequência, e se aparecem outros sintomas. Depois, examina força, sensibilidade, reflexos, equilíbrio, coordenação e visão.

Na maioria das dores de cabeça primárias, essa avaliação basta para chegar ao diagnóstico, sem necessidade de exames de imagem. Quando há sinais de alerta ou alguma dúvida, o neurologista solicita e interpreta os exames indicados, como tomografia ou ressonância do crânio e exames de sangue. Nas emergências, a investigação é feita no pronto-socorro.

Um recurso simples ajuda muito na consulta: o diário de dor de cabeça. Anote os dias de dor, a intensidade, a duração, os remédios que tomou e o que pode ter desencadeado a crise. Essas anotações mostram ao médico um retrato bem mais fiel do que a memória.

Quando procurar um neurologista?

Procure um neurologista quando a dor de cabeça for frequente, atrapalhar o trabalho, o sono ou o lazer, ou tiver mudado de padrão, mesmo sem sinais de emergência. Algumas situações comuns:

  • dor de cabeça em vários dias do mês;
  • necessidade de tomar analgésico com frequência, o que pode até piorar o quadro (entenda em analgésico em excesso piora a dor de cabeça);
  • crises que não melhoram com os remédios que antes funcionavam;
  • dor que acorda você durante a noite;
  • dúvida se a dor é enxaqueca ou outro tipo de cefaleia.

Com o diagnóstico certo, dá para montar um plano de tratamento para o seu caso, que pode incluir remédios para as crises, prevenção e ajustes na rotina. Saiba mais sobre a avaliação de dor de cabeça e enxaqueca.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.

Perguntas frequentes

01Dor de cabeça todos os dias é normal?

Não deve ser encarada como normal. Dor de cabeça na maior parte dos dias do mês pode indicar uma cefaleia crônica, como a enxaqueca crônica, ou a cefaleia causada pelo uso excessivo de analgésicos. Uma avaliação ajuda a descobrir a causa e ajustar o tratamento.

02Pressão alta causa dor de cabeça?

Na maioria das pessoas, a pressão alta não causa dor de cabeça. Já uma subida muito forte e repentina da pressão pode provocar dor e outros sintomas, e é tratada como urgência. Quem tem hipertensão deve manter o acompanhamento com o seu médico.

03Preciso fazer tomografia sempre que tiver dor de cabeça?

Não. A maior parte das dores de cabeça é diagnosticada pela conversa e pelo exame neurológico. Exames de imagem entram quando há sinais de alerta ou quando o médico precisa esclarecer uma dúvida específica.

04Dor de cabeça com febre é perigosa?

Muitas vezes a dor vem de uma infecção comum, como gripe ou sinusite. Mas febre com rigidez na nuca, incômodo com a luz, confusão ou manchas na pele que não somem ao apertar exige atendimento de emergência, porque pode ser meningite.

Dr. Avelino Júnior
Dr. Avelino JúniorNeurologista · CRM-CE 7555 · RQE 5115. Medicina e residência em Neurologia Clínica pela UFC. Atende em Fortaleza e por telemedicina. Conheça o médico.

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