Dor de cabeça pode causar desmaio?
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O queijo pode desencadear crises em algumas pessoas com enxaqueca, principalmente os queijos curados, que têm mais tiramina. Mas isso não vale para todo mundo, e as pesquisas sobre gatilhos alimentares são limitadas. Um diário alimentar, feito por algumas semanas, ajuda a descobrir se o queijo é mesmo um gatilho no seu caso.
O queijo aparece em quase toda lista de alimentos que "dão enxaqueca". Por causa disso, muita gente com crises frequentes corta o queijo do cardápio, às vezes junto com vários outros alimentos. Nem sempre é preciso. Depende de você, e entender o motivo ajuda a decidir sem exageros.
Não. O queijo pode desencadear crises em algumas pessoas que já têm enxaqueca, mas não em todas, e não provoca a doença em quem não a tem. A enxaqueca é uma condição neurológica com forte influência genética. Quando os alimentos têm algum papel, eles funcionam como gatilhos, ou seja, fatores que podem precipitar uma crise em quem já tem essa tendência.
Mesmo em quem é sensível, o efeito raramente é automático. O mesmo alimento pode provocar crise num dia e no outro não. Conta a quantidade, e contam também o sono da noite anterior, o estresse, a fase do ciclo menstrual e tudo o mais que estiver acontecendo naquele dia.
Os queijos curados, ou envelhecidos, têm mais tiramina, uma substância que pode desencadear crises em pessoas sensíveis. A tiramina se forma naturalmente enquanto alimentos ricos em proteína envelhecem. Quanto mais tempo o queijo passa maturando, mais tiramina ele tende a ter.
Na prática:
A tiramina pode influenciar a liberação de substâncias que agem sobre os vasos sanguíneos e o sistema nervoso. Essa é uma das explicações propostas para a ligação com a enxaqueca, mas o mecanismo ainda não está totalmente esclarecido.
Sim. A histamina e a feniletilamina também aparecem como possíveis desencadeantes em algumas pessoas. A histamina está em alimentos fermentados, embutidos e algumas bebidas alcoólicas, como o vinho. A feniletilamina está, por exemplo, no chocolate.
Outros itens costumam entrar na lista de suspeitos: álcool, excesso de cafeína, embutidos com nitritos e alimentos com glutamato monossódico (um realçador de sabor). A lista é longa, e a maioria das pessoas com enxaqueca não reage a todos esses itens.
As pesquisas sobre gatilhos alimentares ainda são limitadas. Muita gente relata que certos alimentos provocam crises, mas os estudos que tentaram confirmar essas associações chegaram a resultados que não batem entre si. A instituição britânica The Migraine Trust, por exemplo, chama atenção para essa falta de comprovação e não recomenda cortar um alimento sem ter segurança de que ele é um gatilho.
Há um ponto que confunde bastante. Às vezes, o que parece gatilho já é um sintoma do início da crise. Nas horas antes da dor, algumas pessoas sentem vontade de comer certas coisas, como doce ou salgado. A pessoa come, a dor vem depois, e o alimento leva a culpa.
Por isso, dietas restritivas amplas feitas por conta própria não são recomendadas. Cortar muita coisa ao mesmo tempo empobrece a alimentação, cria ansiedade em torno da comida e, muitas vezes, nem reduz as crises. Um dos gatilhos ligados à alimentação que aparece com mais regularidade é ficar muitas horas sem comer. Fazer as refeições em horários regulares costuma ajudar mais do que eliminar alimentos.
O caminho mais útil é anotar o que você come junto com o diário de dor de cabeça, por algumas semanas. Registre:
Se um alimento aparece antes das crises várias vezes, converse com seu médico. Ele pode orientar um teste simples: tirar só aquele alimento por um tempo e ver se algo muda. Se as crises continuarem iguais, não há motivo para manter a restrição. O diário também mostra outros gatilhos, como sono irregular e estresse, que muitas vezes pesam mais do que a comida. Para entender as outras partes do tratamento, veja enxaqueca tem cura.
Procure um neurologista se as crises de enxaqueca forem frequentes, atrapalharem sua rotina ou se você já cortou vários alimentos e não melhorou. Controlar a enxaqueca quase sempre envolve mais do que a dieta: tratamento da crise, prevenção quando indicada e mudanças no dia a dia.
O neurologista avalia o padrão das suas crises, ajuda a ler o diário e define se vale a pena um tratamento preventivo. Quando for preciso, solicita e interpreta exames. Saiba mais sobre a avaliação de dor de cabeça e enxaqueca.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.
Na maioria dos casos, pode. Só faz sentido evitar o queijo se o diário mostrar que ele está ligado às suas crises. E, mesmo assim, muita gente tolera bem os queijos frescos.
O chocolate é um dos alimentos mais citados, mas as provas são fracas. Muitas vezes a vontade de comer chocolate já faz parte do começo da crise, e não é a causa dela.
O álcool, em especial o vinho tinto, está entre os gatilhos mais relatados. O efeito, porém, muda de pessoa para pessoa e pode depender da quantidade e de outros fatores, como sono e cansaço.
Não existe uma dieta que sirva para todas as pessoas com enxaqueca. Refeições em horários regulares, boa hidratação e moderação com cafeína e álcool costumam ajudar mais do que cortar muitos alimentos.
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