Dor de cabeça pode causar desmaio?
Dor de cabeça pode causar desmaio? Entenda a reação vasovagal, o papel da respiração acelerada e quando o desmaio com dor pede atendimento urgente.
Ler artigoDor de cabeça e enxaqueca

A enxaqueca não tem cura definitiva, porque é uma doença neurológica crônica com forte influência genética. Mas ela pode ser controlada. Com o tratamento certo das crises, prevenção quando indicada e atenção aos gatilhos, muitas pessoas passam a ter crises menos frequentes, mais curtas e mais fracas.
Quem tem enxaqueca costuma chegar ao consultório com a mesma pergunta: existe um tratamento que acabe com as crises de vez? A resposta honesta é que nenhum remédio faz a enxaqueca desaparecer. Isso não quer dizer que você tenha de aceitar crises frequentes que tiram dias da sua vida. Saber o que o tratamento consegue fazer ajuda a ter expectativas realistas.
A enxaqueca não tem cura definitiva porque é uma doença crônica do cérebro. Não há uma lesão que possa ser retirada. Quem tem enxaqueca tem um cérebro mais sensível a certos estímulos, em boa parte por herança genética, e fatores do dia a dia se somam a essa tendência e disparam as crises.
Ela se parece, nesse sentido, com a asma ou a pressão alta, em que o objetivo é manter a doença sob controle. O NHS (serviço público de saúde do Reino Unido) e o NINDS (instituto de neurologia dos Estados Unidos) dizem o mesmo: não há cura, mas há tratamentos que ajudam a controlar os sintomas.
A enxaqueca também muda ao longo da vida. Há fases com mais crises e fases mais tranquilas. Em muitas mulheres, as crises acompanham o ciclo menstrual e costumam diminuir depois da menopausa.
O tratamento procura diminuir quantas vezes a dor aparece, quanto ela dói e quanto tempo dura, para que a enxaqueca pese menos no trabalho, no sono e na vida social. Em geral, ele tem duas partes, muitas vezes usadas juntas.
O tratamento da crise, também chamado de agudo, usa remédios no momento da dor para aliviá-la e permitir que você volte ao que estava fazendo. O tratamento preventivo é tomado todos os dias, por um período, para reduzir o número de crises.
Os remédios são só uma parte. Organizar a rotina, descobrir os próprios gatilhos e tratar condições que costumam piorar a enxaqueca, como ansiedade, depressão e problemas de sono, também fazem diferença.
O remédio da crise funciona melhor quando é tomado cedo, logo nos primeiros sinais de dor. Se você espera a dor ficar muito forte, o efeito costuma ser menor.
Entre as classes de medicamentos usadas nas crises estão os analgésicos comuns, os anti-inflamatórios, os triptanos (remédios específicos para enxaqueca), os gepantes e os remédios contra enjoo. A escolha depende do tipo de crise, de outras doenças que você tenha e de como você respondeu a tratamentos anteriores. Por isso a indicação é individual e cabe ao médico.
Aqui existe uma armadilha. Tomar remédio para dor em muitos dias do mês pode deixar a dor de cabeça mais frequente. É a chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos, explicada em analgésico em excesso piora a dor de cabeça.
Durante a crise, algumas medidas simples ajudam: descansar num quarto escuro e silencioso, colocar uma compressa fria na testa e beber água.
O preventivo costuma ser indicado quando as crises são frequentes, muito fortes, longas ou não melhoram bem com o remédio da crise. Também é considerado quando a pessoa precisa de remédio para dor em muitos dias do mês.
Existem várias classes de preventivos, entre elas alguns betabloqueadores, antidepressivos e anticonvulsivantes. Há também tratamentos mais recentes que agem sobre o CGRP, uma substância envolvida na dor da enxaqueca. Na enxaqueca crônica, a aplicação de toxina botulínica pode ser uma opção.
Algumas coisas que o paciente deve saber antes de começar:
O jeito mais prático de identificar gatilhos é manter um diário de dor de cabeça. Os gatilhos variam muito de uma pessoa para outra, e nem sempre o mesmo fator provoca crise. Muitas vezes o que pesa é a soma de vários deles no mesmo dia.
Os gatilhos mais relatados são:
No diário, anote a data e a hora da crise, a intensidade, a duração, os remédios que tomou e o que aconteceu antes: como dormiu, o que comeu, se estava menstruada, se passou por algum estresse. Em poucas semanas, alguns padrões começam a aparecer, e o médico consegue ver se o tratamento está funcionando. Sobre alimentos, veja queijo pode causar enxaqueca.
Um detalhe costuma enganar. O que parece gatilho às vezes já é o começo da crise. A vontade de comer doce, por exemplo, pode fazer parte da fase que vem antes da dor.
Procure um neurologista quando a enxaqueca atrapalhar sua rotina, quando as crises forem frequentes ou quando você precisar de remédio para dor em muitos dias do mês. A consulta também é importante se as crises mudaram de característica ou se os remédios deixaram de funcionar.
O neurologista confirma o diagnóstico, afasta outras causas de dor de cabeça e monta um plano de tratamento para o seu caso. Quando necessário, solicita e interpreta exames. Se surgirem sintomas diferentes do habitual, leia quando a dor de cabeça é sinal de alerta.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.
A genética tem um papel importante. É comum que pessoas com enxaqueca tenham pais, irmãos ou outros parentes com o mesmo problema. Mas ter alguém com enxaqueca na família não significa que você vai ter também.
Na aura, a pessoa tem sintomas passageiros antes ou durante a dor, como pontos brilhantes, linhas em zigue-zague ou formigamento. A aura, por si só, não torna a enxaqueca mais grave, mas pode influenciar a escolha de alguns tratamentos. Uma aura diferente da habitual deve ser avaliada.
Para muita gente, sim. Exercício regular melhora o sono, o humor e o estresse, que têm relação com as crises. Comece aos poucos e beba água durante a atividade.
Essa decisão deve ser tomada com o médico. Em geral, depois de um período com a enxaqueca bem controlada, dá para avaliar a redução ou a suspensão, muitas vezes de forma gradual.
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