Epilepsia

Quem tem epilepsia pode ter uma vida normal?

Por Dr. Avelino Júnior, neurologista Revisado em 5 min de leitura
Ilustração de uma mulher adulta sorrindo enquanto caminha em um parque, com uma mochila e um porta-comprimidos semanal em destaque
Resposta rápida

Na maioria dos casos, sim. Com diagnóstico correto e tratamento seguido todos os dias, a maior parte das pessoas com epilepsia controla as crises e estuda, trabalha, pratica atividade física e se relaciona normalmente. Algumas atividades pedem cuidados extras, e dirigir ou planejar uma gravidez exige orientação do neurologista.

O diagnóstico de epilepsia costuma vir acompanhado de perguntas sobre o futuro: trabalho, estudo, esporte, carteira de motorista, filhos. A doença foi cercada de mitos por muito tempo, e o preconceito ainda pesa, às vezes mais que as próprias crises. Com informação e acompanhamento, a maioria das pessoas leva uma rotina muito parecida com a de antes.

A epilepsia pode ser controlada?

Sim. A maioria das pessoas com epilepsia consegue controlar as crises com o tratamento certo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, até 70% das pessoas com epilepsia poderiam ficar sem crises se fossem diagnosticadas e tratadas adequadamente.

O neurologista escolhe o tratamento conforme o tipo de epilepsia, a idade, outras doenças, os demais remédios em uso e os planos de vida de cada pessoa. Às vezes é preciso ajustar a dose ou trocar de medicamento algumas vezes até acertar.

Quando as crises continuam mesmo com o uso correto de dois medicamentos bem indicados, fala-se em epilepsia de difícil controle. Ainda assim há caminhos, como cirurgia, dietas específicas e técnicas de neuroestimulação, avaliados em serviços especializados.

Por que é tão importante seguir o tratamento?

Tomar o remédio todos os dias, no horário combinado, é o que mais protege contra novas crises. Esquecer doses é uma das causas mais comuns de crise em quem estava controlado.

Alarme no celular e porta-comprimidos semanal ajudam a não esquecer. Nunca reduza nem pare o remédio por conta própria, mesmo depois de muito tempo sem crises, porque a interrupção brusca pode provocar crises prolongadas. Se aparecer algum efeito colateral, fale com o neurologista em vez de suspender.

Conte a outros médicos e ao dentista que você tem epilepsia, porque alguns medicamentos interagem entre si. E, se puder, mantenha um diário com a data e a hora de cada crise e o que pode ter contribuído para ela.

Quais hábitos podem provocar crises?

Os gatilhos mais comuns são dormir pouco, beber álcool e esquecer o remédio. Conhecer os seus próprios gatilhos ajuda a diminuir o risco.

  • Sono curto ou ruim: a falta de sono está entre os gatilhos mais fortes. Horários regulares para dormir e acordar ajudam.
  • Álcool: o excesso e a ressaca aumentam o risco de crises, e o álcool pode interagir com os medicamentos.
  • Drogas recreativas: várias podem provocar crises.
  • Estresse forte, febre e infecções.
  • Luzes piscando: afetam uma minoria, as pessoas com epilepsia fotossensível.
  • Variações hormonais: algumas mulheres percebem mais crises em certas fases do ciclo menstrual.

Quem tem epilepsia pode trabalhar, estudar e praticar esportes?

Sim. A maioria das pessoas com epilepsia estuda, trabalha e faz atividade física. Os cuidados dependem sobretudo de quanto as crises estão controladas e do tipo de atividade.

No trabalho, funções em altura, com máquinas perigosas ou que envolvem dirigir podem exigir restrições, conforme o controle das crises. Na maior parte das profissões, não há impedimento.

A atividade física regular é recomendada. Caminhada, corrida, musculação, bicicleta em lugar seguro e esportes coletivos costumam ser possíveis. Natação, só acompanhado, em local com salva-vidas ou com alguém que saiba da sua condição. Mergulho, escalada e esportes em altura pedem avaliação individual. Em casa, prefira o chuveiro à banheira, tenha atenção redobrada no fogão e evite trancar a porta do banheiro.

Falar abertamente sobre a epilepsia com colegas, professores e amigos, e ensinar o que fazer numa crise, costuma diminuir o medo e o preconceito. Epilepsia não é contagiosa, não é doença mental e não diminui a inteligência. As orientações de primeiros socorros estão em o que fazer durante uma crise epiléptica.

Quem tem epilepsia pode dirigir ou engravidar?

Muitas pessoas com epilepsia podem dirigir e engravidar, mas as duas coisas pedem avaliação e planejamento com o neurologista.

Poder dirigir depende do controle das crises, do tipo de epilepsia e da avaliação médica, dentro das regras de trânsito em vigor, que definem o que é exigido para tirar ou renovar a habilitação. Enquanto as crises não estão controladas, dirigir põe em risco a própria pessoa e os outros. Converse sobre o seu caso com o neurologista antes de pegar o volante.

A maioria das mulheres com epilepsia tem gestações e bebês saudáveis. O ideal é planejar com antecedência, porque alguns medicamentos anticrise podem afetar o desenvolvimento do bebê e precisam ser ajustados antes da concepção. O médico também pode indicar suplementação vitamínica antes de engravidar. Alguns remédios para epilepsia e alguns anticoncepcionais interferem uns nos outros, o que também entra na conversa. Se descobrir uma gravidez, não pare o medicamento por conta própria. Procure o neurologista o quanto antes, porque uma crise durante a gestação também traz riscos.

Quando procurar o neurologista?

Procure o neurologista quando as crises mudarem de jeito ou ficarem mais frequentes, quando surgir um efeito colateral incômodo, quando houver planos de gravidez ou dúvidas sobre trabalho, esporte e direção. Quem continua tendo crises mesmo tomando os remédios corretamente deve ser reavaliado, às vezes com exames que o neurologista solicita e interpreta.

As consultas de retorno também servem para rever o diagnóstico, adaptar o tratamento a cada fase da vida e, quando possível, discutir a retirada gradual dos remédios depois de longos períodos sem crises. A página sobre epilepsia traz mais informações.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Perguntas frequentes

01Epilepsia tem cura?

Algumas formas de epilepsia deixam de dar crises com o tempo, e parte das pessoas consegue, com orientação médica, retirar os remédios depois de anos sem crises. Em outros casos, o tratamento continua por longo prazo. O neurologista avalia cada situação.

02Quem tem epilepsia pode beber álcool?

O álcool em excesso aumenta o risco de crises e pode interagir com os medicamentos. Algumas pessoas são orientadas a evitar totalmente. Converse com o neurologista, que vai considerar o tipo de epilepsia e o tratamento em uso.

03Epilepsia é contagiosa?

Não. A epilepsia não passa de uma pessoa para outra, nem pelo contato com a saliva durante uma crise. Esse mito é um dos que mais alimentam o preconceito.

04Quem tem epilepsia pode fazer academia?

Na maioria dos casos, sim. Exercício regular faz bem para a saúde geral e para o humor. Evite treinar depois de uma noite sem dormir ou desidratado e, nos exercícios com peso, tenha alguém por perto.

Dr. Avelino Júnior
Dr. Avelino JúniorNeurologista · CRM-CE 7555 · RQE 5115. Medicina e residência em Neurologia Clínica pela UFC. Atende em Fortaleza e por telemedicina. Conheça o médico.

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