Esclerose múltipla

Esclerose múltipla: quais são os primeiros sintomas?

Por Dr. Avelino Júnior, neurologista Revisado em 5 min de leitura
Ilustração de uma mulher jovem com a mão sobre um dos olhos, com um esquema simplificado de um nervo e sua camada de mielina ao fundo
Resposta rápida

Os primeiros sintomas da esclerose múltipla costumam ser visão embaçada ou perda de visão em um olho, com dor ao mexer o olho, dormência ou formigamento, fraqueza em braço ou perna, desequilíbrio, fadiga intensa e urgência para urinar. Em geral aparecem em adultos jovens, na forma de surtos que duram dias e depois melhoram.

A esclerose múltipla costuma aparecer numa fase em que a pessoa está estudando, trabalhando e fazendo planos, e por isso os primeiros sintomas assustam tanto. Eles podem ser discretos, ir e voltar e passar por cansaço ou estresse. Reconhecê-los ajuda a buscar avaliação cedo, e isso pesa na hora de decidir o tratamento.

O que é esclerose múltipla?

A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica, autoimune e desmielinizante do sistema nervoso central, que inclui o cérebro, a medula espinhal e os nervos dos olhos. Autoimune quer dizer que as células de defesa do próprio corpo atacam, por engano, uma parte do organismo. Desmielinizante quer dizer que o alvo é a mielina, a capa que envolve os nervos e faz os sinais elétricos correrem depressa.

Onde a mielina é lesada, formam-se pequenas cicatrizes, as placas, e a comunicação entre o cérebro e o corpo fica lenta ou falha. Como essas lesões podem surgir em vários pontos, os sintomas mudam muito de uma pessoa para outra.

A EM costuma ser diagnosticada entre os 20 e os 40 anos e é mais frequente em mulheres. Não é contagiosa, não é causada por fatores emocionais e não tem nada a ver com a expressão popular "ficar esclerosado".

Quais são os primeiros sintomas da esclerose múltipla?

Os primeiros sintomas mais comuns são alterações da visão, da sensibilidade, da força e do equilíbrio, que se instalam ao longo de horas ou dias. Os mais frequentes são:

  • Neurite óptica: inflamação do nervo do olho. A visão de um olho fica embaçada, escurecida ou se perde, geralmente com dor ao mexer o olho. As cores podem parecer desbotadas.
  • Alterações de sensibilidade: dormência, formigamento, queimação ou sensação de faixa apertada no tronco, em um braço, em uma perna ou no rosto. Um choque que desce pelas costas ao dobrar o pescoço também é típico.
  • Fraqueza em um braço ou uma perna, com dificuldade para segurar objetos ou um pé que começa a arrastar.
  • Desequilíbrio e falta de coordenação: tontura, andar inseguro, sensação de estar desajeitado.
  • Visão dupla, por alteração nos nervos que movimentam os olhos.
  • Fadiga: um cansaço forte e desproporcional, que não melhora direito com repouso e atrapalha o dia.
  • Sintomas urinários: urgência para urinar, idas frequentes ao banheiro ou dificuldade de segurar a urina.

Ter um desses sintomas não significa ter esclerose múltipla. Várias outras condições podem causá-los, e só a avaliação médica esclarece.

O que é um surto de esclerose múltipla?

Surto é o aparecimento de um sintoma neurológico novo, ou a piora clara de um antigo, que dura mais de 24 horas e não se explica por febre ou infecção. Na forma mais comum, chamada remitente-recorrente, os surtos são seguidos por fases de melhora, completa ou parcial, que podem durar meses ou anos.

O surto costuma se instalar em horas ou dias, permanece por alguns dias ou semanas e depois regride. Calor, febre, infecção e cansaço podem piorar por um tempo sintomas antigos sem que seja um surto de verdade. Isso se chama pseudossurto e passa quando a causa passa.

Em parte das pessoas, a doença piora de forma gradual, sem surtos bem definidos. São as formas progressivas, que têm acompanhamento próprio.

Como é feito o diagnóstico da esclerose múltipla?

O diagnóstico junta a avaliação do neurologista com exames, principalmente a ressonância magnética do crânio e da medula. Nenhum exame, sozinho, confirma a doença.

O neurologista segue critérios internacionais, que procuram mostrar lesões em regiões diferentes do sistema nervoso e surgidas em momentos diferentes. A ressonância é o exame que mais ajuda nisso, porque mostra as placas mesmo quando elas não causaram sintomas.

Conforme o caso, o neurologista também solicita e interpreta o exame do líquor (o líquido que envolve o cérebro e a medula), colhido por punção lombar, os potenciais evocados, que medem a velocidade com que os nervos conduzem os sinais, como o nervo da visão, e exames de sangue para afastar doenças que imitam a EM. Descartar essas outras causas é parte obrigatória do processo, porque várias condições produzem sintomas e imagens parecidas.

Existe tratamento para esclerose múltipla?

Sim. A esclerose múltipla ainda não tem cura, mas o tratamento mudou muito nas últimas décadas e hoje ajuda a controlar a atividade da doença.

Os tratamentos modificadores da doença são medicamentos de uso contínuo que agem sobre o sistema imunológico. Eles reduzem a frequência dos surtos e o aparecimento de novas lesões e buscam retardar a perda de funções. Há diferentes classes, em comprimido, injeção ou infusão, e a escolha é feita para cada paciente.

Nos surtos, em geral se usa corticoide por pouco tempo, para acelerar a recuperação. Fadiga, alterações urinárias, rigidez muscular, dor e humor têm abordagens próprias, e fisioterapia e atividade física regular ajudam a manter força, equilíbrio e mobilidade.

Por isso não vale adiar a avaliação quando os sintomas aparecem. Depois do diagnóstico, o acompanhamento é contínuo, com consultas e ressonâncias periódicas.

Quando procurar um neurologista?

Procure um neurologista se tiver alteração da visão em um olho, dormência, formigamento, fraqueza ou desequilíbrio que durem mais de um dia, principalmente se já houve episódios parecidos que melhoraram sozinhos. Fadiga intensa e sintomas urinários sem explicação também devem ser contados ao médico.

Anote quando os sintomas começaram, quanto duraram e se já houve outros episódios. Essas datas ajudam muito na consulta. A página sobre esclerose múltipla traz mais informações sobre o acompanhamento. Quem já tem diagnóstico e mora longe pode considerar a consulta por telemedicina no seguimento, quando o exame presencial não for indispensável.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Perguntas frequentes

01Esclerose múltipla é hereditária?

Não no sentido clássico, mas ter parentes próximos com EM aumenta um pouco o risco. A doença resulta de uma predisposição genética somada a fatores do ambiente, como tabagismo, vitamina D baixa e algumas infecções virais.

02Quem tem esclerose múltipla pode engravidar?

Sim. Muitas mulheres com EM têm gestações saudáveis. O ideal é planejar a gravidez com o neurologista, porque alguns tratamentos precisam ser ajustados ou suspensos antes de engravidar.

03Esclerose múltipla sempre leva à cadeira de rodas?

Não. Com os tratamentos atuais, muitas pessoas mantêm independência e continuam trabalhando por muitos anos. A evolução varia bastante, e controlar cedo a inflamação é um dos fatores que mais pesam no curso da doença.

04Estresse causa esclerose múltipla?

Não. O estresse não causa a doença. Algumas pessoas notam piora dos sintomas em fases de tensão, e cuidar da saúde emocional faz parte do tratamento.

Dr. Avelino Júnior
Dr. Avelino JúniorNeurologista · CRM-CE 7555 · RQE 5115. Medicina e residência em Neurologia Clínica pela UFC. Atende em Fortaleza e por telemedicina. Conheça o médico.

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